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::Ontem foi notícia!::
08/01/2006 a 14/01/2006


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APENAS UM E NADA MAIS...

E com ele me perco
num breve retorno
De quem nem os pés mexeu!
Há um cansaço mais claro
...nos olhos que já não enxergam nada mais,

Não há saudades na pele
...mas há uma busca que não cessa!

Há uma latitude ingrata
fazendo pesar em mim!
Com ela _ há gritos e gemidos
...se fazendo eco
...se fazendo ouvir e sentir
Em algum canto de mim!

Se fujo
...caío em desgraça
porque me encontro
em paisagens embriagadas
de uma realidade
...que não desejamos um para o outro!

Se fico
...abraço o acaso
E fico no aguardo do momento de fugir...

Então _ me recolho
...respiro fundo
Visto o mesmo sorriso de todos os dias,
...e espero por você!

Escrito por Lua Azul às 17h03
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Uma poesia... Um poeta... Rodrigo Capella

Chuva, Chuva, Fuja!

 

 

Por Rodrigo Capella*


Raio de brilho omisso,
terra, de mim desgastada,
entre ofícios e ócios,
vida apagada.

Tempo de ternura e agonia,
vento com chuva carregada,
prefiro momento controlado,
vida, tempo confiscado.

Quadro sem luz,
caminho tortuoso de moral.
Ternura, agonia, fuja,
enquanto é carnaval.

 

 

(*) Rodrigo Capella é o mais novo colunista da Casa da Poeta. Autor de diversos livros, entre eles “Enigmas e Passaportes”, “Transroca, o navio proibido” e “Como mimar seu cão”. Capella é poeta, escritor e jornalista. E-mail: contato@rodrigocapella.com.br



Escrito por Lua Azul às 16h10
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A poesia de Simone de Oliveira

Fotografia. Paulo Medeiros

Adoece em mim a boca e a palavra;
embriagadas,
minhas noites pedem trégua.
Tenho guerras constantes
pela república das minhas dúvidas.
A nostalgia brinda meu cansaço
e me entrega a fria e vil lápide da memória.
Minha alma vestiu azul.
Minha ironia, ironizou-me
e não pude ver
nem ouvir
mais nada.
 
Dezembro é apenas um eco !!
 
Simone Oliveira


Escrito por Lua Azul às 16h08
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O TAMANHO DE CADA UM

Não caibo em um quadrado preenchido por letras miúdas.
Não caibo em um retângulo aberto por um internauta menos interessado.
Não caibo na pequeneza de quem me julga só pelas minhas ações.
Não caibo nos espelhos com iluminação indireta dos provadores dos shoppings.
Não caibo nos contos que escrevo, nem nas músicas que canto.
Não caibo no olhar de inveja dos que são menos do que eu.
Não caibo em grilhões, cordas, algemas ou outros fetiches.
Não caibo nas frases decoradas e dirigidas a mim pelas atendentes do Mc Donald´s.
Não caibo na foto de minha formatura emoldurada na estante de minha avó.
Não caibo no olhar de súplica dos meninos malabaristas nos sinais.
Não caibo em estereótipos, rótulos, títulos, apelidos ou codinomes.
Não caibo nas câmeras dos elevadores do meu prédio, nem em suas respectivas TVs.
Não caibo nas baixarias sussurradas pelos peões de obra quando passo na calçada.
Não caibo nas atividades diárias que realizo automaticamente ao acordar.
Não caibo na minha cama, nem no meu quarto, ou ao menos na minha casa.
Não caibo nas análises dos psicólogos e outros estudiosos da mente humana.
Não caibo em telefonemas, telegramas, bilhetes, cartas ou testamentos.
Não caibo nos sonhos que não sonhei nem nos beijos que não beijei.
Não caibo na dissimulação de quem me olha na praia por trás de óculos escuros.
Não caibo nas expectativas que os outros fizeram para mim.
Não caibo no apelo das campanhas publicitárias que buscam retornos acima da média.
Não caibo nas tribos, perfis, sociedades, organizações ou outros grupos.
Não caibo em mim, nem em ti. Talvez caiba em nós dois.

 

Márcia do Valle

Solta no mundo



Escrito por Lua Azul às 16h06
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O QUE DIZER?

Apresentação da autora Márcia do Valle, nova colaboradora da Casa da Poeta:

Felicidade em forma líquida é Prossecco
Tradição em forma de música é a Marcha Nupcial
Surpresa em forma hormonal é primeira menstruação
Elegância em forma de odor é Channel n. 4
Pureza em forma viva é neném
Desespero em forma fluida é sangue
Infância em forma grudenta é algodão doce
Frio em forma de posição é encolhidinho
Paciência em forma granular é areia de ampulheta
Sorte em forma palpável é amuleto
Empreendedorismo em forma de brinquedo é Lego
Resplendor em forma sólida é diamante
Obrigação em forma de tecnologia é relógio-despertador
Segredo em forma visual é buraco da fechadura
Calor em forma de alimento é picolé
Tataravô em forma celeste é estrela
Angústia em forma de pontuação é !?
Preguiça em forma climática é chuva
Carinho em forma falada é apelido no diminutivo
Márcia do Valle em forma escrita é seu BLOG

http://www.soltanomundo.blogger.com.br



Escrito por Lua Azul às 16h05
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Dois Poemas

Dois poemas

de meu próximo livro, intitulado de “Intervalo Lírico”.
O livro deve sair até o final do ano.

Feliz ano novo

teus seios
brilham no ocaso
vermelho
que invade
o ano virgem.

 

Fúria

sugo
a saliva
de teu sexo
como quem sangra
na chuva
como quem chora
no cio.



 

coruja

são todo ouvidos
os teus olhos
de vigília.

olhos acesos,
luzeiros
de sabedoria.

olhos atentos
à geografia
do dentro

és uma concha.

um encorujado
caramujo.

monja em voto de silêncio.

Sérgio de Castro Pinto
in Zôo Imaginário
São Paulo -Escrituras Ed. -2005

Sérgio de Castro Pinto é poeta homenageado da noite de hoje no projeto LiterArte Musical, que acontece toda terça-feira, no Mister Caipira, em João Pessoa. Ele terá poemas encenados pela atriz Petra Ramalho.
A noite será completada com show do guitarrista Léo Almeida.



Escrito por Lua Azul às 16h03
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Uma poesia...

Era uma daquelas tardes em que eu não tinha nada para fazer...

Sentei-me à mesa _ caneta em punho

E um sorriso na alma!

A melancolia lenta _ se fazia presente!

E a paisagem parecia congelada

...sem movimentos ou ações!

Nem mesmo um galho se movia!

Então _ pensei:

"Vou me dedicar ao versos!"

E desde então: faço poesia!



Escrito por Lua Azul às 16h01
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Carlos _ um Poeta de Plantão!!!

 

A entrevista desse mês foi agendada sem eu saber absolutamente nada sobre o Poeta. Imaginem então que eu me preparei para conhecer um Poeta... de Plantão (como ele mesmo gosta de se identificar...).

Treze de Maio _ um dos lugares mais italianos da cidade paulistana. Choveu um pouco, o que causou alguns transtornos na cidade (pra variar)... Mas lá estava eu para uma entrevista que dessa vez fez jus ao nome impresso no alto da página... Papo de Poeta!

Se você passar pela 13 de maio e parar na Cantina L´Italiana _ vai se deparar com um jovem espanhol de 45 anos vestindo seu avental, colete e boina vermelha (tipicamente italianos) recepcionando os clientes da casa, estacionando o carro com sua gentileza habitual... Eis o nosso Poeta de Plantão...

Carlos escreve há muito tempo, trás consigo muitas histórias e mais de 200 poemas escritos a partir de seu encontro com um livro chamado A Fada Moranguinho que segundo ele foi o que o despertou para esse universo rico das artes.
A conversa seguiu por vários caminhos... Conversamos sobre política, cultura, diversidade social. E aos poucos ficou claro que Carlos um dia foi um pretenso engenheiro que formou-se em jornalismo.

Mas... Carlos revela claramente que não se dedicar a esse seu lado poeta foi uma opção de vida:

 

 “Não se põe comida a mesa com poemas nesse país e eu precisa cuidar da minha família. No Brasil ainda não há valorização para quem faz arte.”


A Casa onde trabalha existe há 17 anos, mas ele só está ali há 12 anos e fala do lugar com carinho e dá ênfase aos muitos detalhes do lugar, como um sapatinho pendurado em um canto da Cantinha, uma simpatia antiga que lhe fora passada por sua mãe. O outro sapatinho do par, está perdido em algum canto da Cantina.

 

“Eu acho que nem me lembro mais onde deixei o outro sapatinho. Mas é coisa de mãe e a gente sempre respeita, acredita em tudo.”



Escrito por Lua Azul às 15h40
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Há 25 anos escrevendo poesias, Carlos reescreveu com facilidade um de seus 200 poemas. Brigou um pouco com o papel e com a caneta e por fim reclamou da falta da estrutura que o papel não permitia-lhe, mas o escreveu assim mesmo.

Carismático, o poeta mostra claramente a principal característica de um poeta _ a sensibilidade e facilidade para observar tudo que acontece a sua volta. A sensação de ver tudo como se estivesse vendo pela primeira vez.

 

“A gente se descobre romântico e isso faz com que a produção poética seja muito maior e mais intensa. Eu não tenho horário para escrever, as vezes, de madrugada, escrevo dez ou vinte poemas. Outro dia eu escrevi um poema para uma menina que estava aqui e pela primeira vez eu dei o original pra ela, porque eu não costumo me desfazer dos originais.”


Carlos viveu intensamente a repressão ocorrida a partir de 1964 e constata como muitos, que foi uma época mágica no segmento de criação, mas ele não credita isso exclusivamente a repressão.

 

 “A gente precisa se lembrar que hoje há muitos meios de comunicação, a internet, a própria televisão, todos tem celulares e a comunicação é muito fácil _ o que não acontecia antigamente a música, a poesia, os pasquins eram formas únicas de comunicação. Mas não há como negar que a proibição também serviu como estímulo a criatividade dos artistas em geral.”


Carlos conheceu de perto os movimentos que se levantaram contra a ditadura. Viu surgir alguns dos principais líderes políticos que hoje vinculam na vitrine política do país _ assistiu as muitas transformações ocorridas no país desde o movimento em pró democracia e desenvolveu uma opinião própria com relação a tudo isso:

 

“Infelizmente o Brasil é um país político, onde cada um defende o seu lado ou o seu partido. Basta olhar para o bairro do Bixiga que vive o descaso individual de pessoas que não querem o melhor para o bairro _ querem o melhor pra si e não fazem nada porque tem seus próprios ideais, e estes não combinam com os ideais da maioria ou talvez de uma minoria que realmente gosta do bairro e se identifica com ele. É triste, mas é assim que acontece. Então muito se fala e pouco se faz.”


Carlos chegou a publicar um livro de poesias, mas hoje não pensa em fazê-lo novamente porque se o fizesse ele buscaria um público diferente do público que a maioria dos escritores estão acostumados a buscar.

 

 “O artista se esquece que a arte pra ser arte é preciso ser vista. Então você escreve um verso e até que alguém o veja é apenas palavra no papel. Se eu fosse fazer um livro hoje, eu faria para as pessoas que andam de trem, metrô, ônibus, porque essa gente lê. Mas a arte hoje em dia virou marketing.”


E para finalizar, Carlos _ Poeta de Plantão se definiu assim:

 

“Sou obscuro porque nem eu acredito que sou tão poeta quanto digo que sou.”


Reportagem. Luna Guedes

Matéria do Jornal Metrópole em Poesia - edição dezembro/2005.



Escrito por Lua Azul às 15h39
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Esse é o novo espaço dos Poetas...

Bom dia Amigos Poetas...

Sejam Bem vindos!

Aos amigos Poetas e aos amigos apaixonados pelos encantos das palavras que são versos e em instantes são poesias.

Esse espaço surgiu ainda há pouco _ na intenção de ver a poesia ter um espaço coletivo, onde o artista faça a sua arte em comunhão com muitos outros artistas _ Poetas _ interpretes de almas...

Para participar deste espaço _ basta você deixar um recado onde fique claro o seu desejo de participar do Blog dos Poetas... E um email para onde será enviado o convite.

Aqui _ você poderá postar suas poesias, versos, trovas, haicais... Sem imposição de dias ou temas... Apenas poesia se perdendo ou se encontrando por aqui.

Um abraço a todos...

E sejam bem vindo

Hellen Schmidt



Escrito por Lua Azul às 15h37
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Abram alas para a poesia...

ECO DESCORAJADO

 

Mário de Andrade...

 

Neste lugar solitário

Onde nem canta o sem fim,

Choro. E um eco me responde

Ao choro que choro em vão.

Eco, responda bem certo,

Meus amigos me amarão?...

E o eco me responde: _ Sim.

 

Pois então, eco bondoso,

Você que sabe a razão

Porque deixando o tumulto

De paulicéia, aqui vim:

Eco, responda bem certo,

Maria gosta de mim?...

E o eco me responde: _ Não!

 

Antes morrer!... Eu me sinto

Tão vazio com este amor...

Não aguento mais meu peito!

Morrer! Seja como for!

Eco, responda bem certo,

Morrerei hoje, amanhã?...

E o eco me responde: _ Nhãam...



Escrito por Lua Azul às 15h32
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